quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Bizarrices de Brasília: o verão

BIZARRICES DE BRASÍLIA: Esta é uma nova série de posts deste blog dedicada às maiores peculiaridades (ou melhor, esquisitices) da Capital Federal.
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Ah, o verão! Aquela época maravilhosa quando todos vão para a praia, sob o maior Sol, pegar aquela cor, apreciar a paisagem (leia-se, lindas mulheres de biquini) tomando uma bela cerveja estupidamente gelada sem absolutamente qualquer preocupação...
Só se for nos seus sonhos, meu caro!

Aqui em Brasília, onde a praia mais próxima está a mais de 1.000km de distância e você só passa o verão lá se começar a juntar dinheiro desde março, isso tudo é apenas sonho. Quem não conhece ou nunca esteve aqui nessa época do ano não sabe que durante o verão chove dia sim e outro também, sendo que a chuva começa e pára pelo menos cinco vezes ao longo do dia. A temperatura máxima de um dia desses gira em torno de 25 graus e a mínima é de aproximadamente 19. Nos (raros) dias de Sol o calor passa dos 30 e geralmente estas (breves) tréguas de chuva precedem os piores pés-d'água que se possa imaginar. Imagino que para quem é de fora (e que acha que Brasília só vive de seca) isso deve soar tão bizarro quanto dizer que nessa mesma época do ano faz 45 graus em Porto Alegre.

Ainda mais bizarro que esta configuração climática são os hábitos dos brasilienses. Se eu tirasse uma foto de qualquer shopping ou lugar de grande aglomeração de pessoas hoje e mostrasse para alguém essa pessoa provavelmente diria que se trata de alguma cidade do Sul em pleno inverno (por causa das pessoas considerávelmente encasacadas e do céu cinzento). Pois é, Brasília deve ser o único lugar do mundo (além do Himalaia) onde as pessoas usam roupas de inverno em pleno verão. E olha que a temperatura mal fica abaixo dos 20 ein...

Eu particularmente prefiro mil vezes um inverno ensolarado a um verão chuvoso, o que já me faz odiar não gostar muito dessa época do ano em Brasília. Junte a isso o fato de que boa parte da população da cidade (incluindo seus amigos e as poucas gurias gatas que há por aqui) simplesmente migra daqui nessa época (semelhantemente aos pássaros fugindo do inverno) e pensa no tédio que é isso aqui entre dezembro e março. Pior mesmo só o carnaval. E, pra fechar com chave de ouro, se você acha que o problema é só a (falta de) diversão disponível, é porque não sabe o quão divertido é pegar um ônibus de merda debaixo de chuva nas paradas da cidade ou dirigir nas ruas daqui, onde os buracos aparecem como espinhas na cara de um adolescente na época da chuva.

Pra encerrar este post, deixo aqui o retrato musical desta situação feito por um dos maiores poetas que fizeram sua história aqui:

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa: o UFC e as artes marciais

Nos últimos anos e, mais especificamente nos últimos meses, uma competição de grandes proporções tem se tornado foco de atenção cada vez maior dos brasileiros: o Ultimate Fighting Championship, mais conhecido pela famigerada sigla UFC. Em suma, é uma luta entre dois competidores onde vale (quase) tudo. O UFC popularizou bastante a modalidade esportiva conhecida como MMA, sigla pra Artes Marciais Mistas em inglês. Os fãs e entusiastas destas competições dizem que são grandes duelos entre lutadores especializados em várias "artes marciais" que usam de técnica, força e astúcia para dobrar seus adversários. Eu digo que não passa de uma brutalidade sem fim e sem propósito, simples violência barata cujo único objetivo é entreter uma multidão sedente de sangue, algo muito próximo de uma versão moderna das lutas de gladiadores da Roma antiga.

Após este breve parágrafo introdutório imagino que muitos estarão me xingando e afirmando que não passo de um nerd gordo que passa o dia todo na frente do computador e que nada sabe sobre artes marciais. Para aqueles que acham isso, sinto desapontá-los, mas não estou acima do peso e, apesar de ser fã de Star Wars, Senhor dos Anéis, heavy metal e outras coisas nerds, tenho mais de seis anos de prática de Karatê Shotokan nas costas (isso não me faz um especialista, muito pelo contrário, mas acho, humildemente, que tenho um mínimo de conhecimento sobre artes marciais). Agora que já me "apresentei", permita-me apresentar o propósito deste post: esclarecer alguns equívocos acerca do assunto em questão. Falar de artes marciais é tão fácil quanto discutir religião, política e futebol. Vários mestres (especialistas de verdade, muito mais experientes e sábios que eu) já escreveram vários livros sobre o assunto e até hoje discutem questões relativas ao mesmo, portanto não sou tolo de achar que estas poucas linhas que escrevo serão o suficiente para encerrar o assunto. Vou tratar apenas alguns poucos pontos específicos nos quais busco mostrar porque UFC, MMA e afins NÃO podem (nem devem!) ser chamados de "artes marciais".

Pra começar, vou citar as palavras do mestre Gichin Funakoshi, fundador do estilo Shotokan de Karatê e considerado "pai do moderno Karatê-dô":
"o fator mais importante na arte do Karatê não está baseado na vitória ou na derrota, mas no aperfeiçoamento do caráter dos seus participantes"
Agora, por favor me respondam amigos entusiastas de UFC/MMA: de que forma a prática de colocar dois marmanjos com shortinhos pregados nos documentos se agarrando e se quebrando dentro de um octógono contribui para o aperfeiçoamento do  caráter dos mesmos?!? Pois bem...

Não, não estou questionando a qualidade técnica, a força física, a habilidade ou qualquer outro atributo semelhante dos lutadores de UFC/MMA. Questiono apenas o seu propósito. Nunca, jamais confundam "arte marcial" com uma simples luta! Galos de rinha lutam. Moleques de escola lutam. Bêbados num bar lutam. Ainda assim, nenhum deles é sequer algo próximo de um artista marcial. Existe uma enorme diferença entre brawlers (brigões, em inglês) e fighters (guerreiros).  Os espartanos na Grécia antiga, os cavaleiros da Idade Média, os samurais do Japão feudal, todos estes são belos exemplos de guerreiros. Os lutadores de UFC/MMA estão mais para brigões.

Agora, se você acha que eu estou falando besteiras inventadas e que tudo isto não tem o menor fundamento, vamos um pouco mais a fundo. O termo "arte marcial" em japonês é melhor traduzido como budô. Esta palavra é formada por dois caracteres (kanjis): 武道. O segundo kanj significa "meio" ou "caminho", e está presente na escrita japonesa de várias modalidades de artes marciais, como Judô, Kendô e Karatê-dô. O primeiro kanji por sua vez é formado pela união de dois kanjis: "parar" ()e "alabardas"(- arma semelhante a uma lança). Conclui-se que a união destes dois caracteres tem como significado "parar a alabarda". Portanto, a verdadeira arte marcial não fomenta a luta, mas sim a impede. A verdadeira arte marcial somente deve ser usada em último caso, quando não há outro recurso disponível a não ser a auto-defesa por meios físicos para preservação da integridade física.

Se você gosta ou não de UFC/MMA isso não me interessa. Cada um gosta do que quiser e ninguém tem nada a ver com isso. Apenas não vá cometer equívocos e "chamar urubu de meu louro", ok?

Ainda tenho o que falar sobre o assunto, mas vou deixá-lo para posts posteriores.

押忍
OSS!!