domingo, 17 de agosto de 2008

A guerra no Cáucaso


“Todo Estado se fundamenta na força.”
Leon Trótski

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, a geopolítica mundial vê um retrocesso na condução dos interesses internacionais dos Estados. O fim da Guerra Fria previa uma nova era de paz e diplomacia em uma nova ordem internacional, na qual deveria predominar as negociações pacíficas e diplomáticas em vez da coação violenta por parte dos Estados fortes. Entretanto, este quadro se mostrou apenas mais uma utopia nos acontecimentos da última semana.

Tudo começou na quinta-feira dia 7, quando forças do exército da Geórgia (ex-república soviética e vizinha da Rússia) invadiu a cidade de Tskhinvali, capital da Ossétia do Sul, uma região que tenta se separar da Geórgia. Esta “punição” gerou uma reação bastante violenta e desproporcional por parte da Rússia, que após o fim da URSS tenta manter sua hegemonia política na região. Desde então, as cidades georgianas têm sido duramente bombardeadas e invadidas pelas forças russas e milhares de civis inocentes são mortos ou obrigados a se refugiar em outras regiões.

Essa distante guerra no Cáucaso não se trata de um conflito localizado, mas de uma verdadeira queda-de-braço internacional entre a Rússia e os EUA. De um lado, a Rússia tenta manter sua predominância na região da mesma maneira que Josef Stálin o fazia há 50 anos, na base da força bruta. De outro, os EUA fazem de tudo para manter seus novos aliados no quintal da ex-superpotência rival da maneira favorita de seu presidente George W. Bush, a ameaça do uso da força.

Trata-se de um duelo de Titãs que denota as verdadeiras características da “nova ordem mundial” (que de nova só tem o nome): a resolução de disputas de forma violenta, a imposição da política externa das grandes potências aos países pequenos, e o duelo entre as potências rivais para manter seus interesses estratégicos egoístas. A verdadeira realidade do conflito é a mentalidade política dos chefes de Estado russos e norte-americanos, que vêem o mundo apenas como um tabuleiro de xadrez em que eles movem as peças visando à completa subjugação do adversário.

O aparente desfecho desse sangrento conflito é a aceitação de um modelo de trégua proposto á Rússia pela União Européia. Entretanto, a verdade está longe das câmeras. Seguindo a filosofia da ordem mundial pós 11 de setembro, em que as grandes potências como Rússia e China não admitem qualquer dissidência em sua esfera de influência e os EUA e o Reino Unido se impõem por meio da força, o primeiro ministro Russo Vladmir Pútin cogita a separação de duas regiões da Geórgia (Ossétia do Sul e Abcássia) desse país. Com medo de perderem um importante aliado político na vizinhança da Rússia, o presidente norte-americano George W. Bush intima os russos a cumprirem sua palavra e dão ares de uso de sua própria força militar para evitar a separação da Geórgia.

Nesta história não existem heróis, apenas os dois maiores poderes militares do mundo comportando-se como “valentões na escola” usando de sua descomunal força bruta para garantir seus interesses. No meio do fogo cruzado estão os maiores perdedores desse jogo, os civis georgianos e ossétianos, que são mortos em meio á disputa de demagogia política dos governos russos, georgianos e norte-americanos. Os números falam por si: 2 mil mortos (a imensa maioria de civis inocentes), mais de 40 mil desabrigados e milhares de famílias e seres humanos que tiveram seus direitos fundamentais negados para a manutenção dos egos das grandes potências.

Longe da idílica fantasia do mundo pós Guerra Fria, a realidade internacional de hoje não é a do Direito Internacional e da diplomacia, mas a lei da selva, em que o mais forte domina o mais fraco.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A triste realidade de Brasília


Brasília é famosa pela sua beleza arquitetônica. Tombada como patrimônio cultural da humanidade, a cidade atrai milhares de pessoas de todas as partes do país para apreciar sua paisagem e seus monumentos únicos. Infelizmente, a verdade não é muito parecida com os cartões postais.

Vários dos principais monumentos e pontos turísticos da cidade estão mal cuidados, vítimas do descaso e do vandalismo. Os turistas que vêem conhecê-los se decepcionam com o péssimo estado de conservação e com a falta de informações. Não é esse o tratamento que Brasília merece!

Em alguns pontos da cidade, como no “balão” do aeroporto e no Eixo Monumental, há relógios digitais que marcam a contagem regressiva para o aniversário de 50 anos da capital, a ser realizado em 21 de abril de 2010. Entretanto, as atitudes do Governo do Distrito Federal (GDF) para com a cidade não condizem com sua atitude propagandística.

A foto acima mostra toda a beleza da capital federal, vista do mirante da Torre de TV. Mas ao olhar os monumentos de perto, percebe-se que essa beleza está bastante deteriorada. Em vários pontos turísticos importantes como a Praça dos Três Poderes, a Catedral, o Teatro Nacional e a Igrejinha, há falta de limpeza, de cuidados e de informações turísticas.

A Praça dos Três Poderes está totalmente largada às traças (ou melhor, aos pombos), suja, sem cuidados e sem nenhum tipo de informação turística. A Catedral está com mais de duzentos de seus vitrais quebrados, além de possuir infiltrações e outros graves problemas estruturais. O Teatro Nacional Cláudio Santoro está repleto de entulho, marcas de obras de reforma mal conduzida, além de estar com a fachada externa quase totalmente comprometida. A Igrejinha da entrequadra 307/308 Sul está bastante depredada, vítima de pichações e da falta de policiamento e de cuidados (impressiona o estado do painel feito com os azulejos de Athos Bulcão).

Todos estes monumentos têm algo incomum além da beleza: o terrível estado de conservação. Todos são vítimas do vandalismo, da falta de cuidados, da falta de policiamento e do descaso do governo. São necessárias reformas e reparos que dêem a estes monumentos a glória que eles merecem. Infelizmente este processo de revitalização enfrenta obstáculos monstruosos, como a excessiva burocracia da administração e a falta de interesse político por parte do GDF.

Se o atual governo pretende realmente ter uma cidade para apresentar em um cinqüentenário em 2010, é melhor deixar de lado as intrigas políticas e as barreiras burocráticas e começar a trabalhar agora! Como brasiliense nato, me sinto profundamente chateado pelo estado em que se encontra esta cidade. Espero que tanto o governo como a comunidade façam o que for necessário para manter a verdadeira beleza de Brasília, respeitando a memória daqueles que planejaram, construíram e fundaram esta cidade.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

As olimpíadas e a China III



Tradução livre da matéria publicada por Chris Chase em 06 de agosto de 2008. Original em inglês disponível em: http://sports.yahoo.com/olympics/beijing/blog/fourth_place_medal/post/Chi?urn=oly,98718

China revoga visto de medalista de ouro, ativista de Darfur Cheek

O medalista de ouro olímpico e franco ativista de Darfur Joey Cheek teve seu visto revogado pela embaixada chinesa, horas antes do campeão de “speedskating” pegar seu vôo para a China. E ele não tinha planos de usar uma máscara quando chegasse lá.

As autoridades chinesas não precisam de uma razão para revogar o visto de alguém, mas, em sua visão, eles tinham várias razões para revogar o de Cheek. Ele é o fundador da Equipe Darfur, um grupo de setenta atletas cujo objetivo é chamar a atenção mundial para as violações dos direitos humanos em Darfur, região do Sudão. As relações militares, econômicas e diplomáticas da China com o Sudão foram bem publicadas nos antecedentes aos Jogos.

Disse Cheek sobre seu banimento em um discurso preparado:

“Estou triste por não poder participar dos Jogos. Os Jogos Olímpicos representam algo poderoso: que pessoas do mundo todo podem se unir e realizar coisas que ninguém achava possível. Contudo, a negação do meu visto é um esforço sistêmico pelo governo chinês de coagir e ameaçar atletas que estão falando em nome do povo inocente de Darfur.”

Cheek estava indo á China para apoiar os atletas da Equipe Darfur, incluindo a jogadora de futebol Abby Wambach, e promover a causa, um que ele tem defendido por anos. Após ganhar o ouro nos Jogos de Torino, Cheek anunciou uma doação de 25 mil dólares do bônus do Comitê Olímpico dos Estados Unidos (United States Olympic Committe, USOC) à Darfur, e implorou a seus patrocinadores que fizessem o mesmo. Parece que Joey Cheek é realmente um dos mocinhos.

E agora ele está fora da China antes mesmo de chegar lá. Com os Jogos se aproximando (apenas dois dias agora), o mundo parece pronto para esquecer tudo sobre os assuntos chineses para se concentrar nos Jogos em si. Infelizmente, as ações da China tornam isso impossível. Em uma hora em que deveríamos estar pensando em quem vai acender o caldeirão olímpico, se Michael Phelps pode quebrar o recorde de todos os tempos e como Liu Xiang vai reagir à pressão de 1,3 bilhões de compatriotas vigiando cada passo seu, estamos, entretanto, discutindo a relutância do governo chinês em permitir qualquer dissidência em seu país, apesar das repetidas promessas de que eles jogariam limpo quando as olimpíadas chegassem á cidade.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

As olimpíadas e a China II


"Tudo que você faz um dia volta para você"
Esta sábia frase denota o verdadeiro significado de muito do que acontece no mundo hoje, como o último ataque terrorista na cidade de Kashgar, na China, em que dois jovens mataram 16 policiais. O ataque foi atribuído a um grupo separatista islâmico (que como qualquer um que se dispõe a pegar em armas por uma causa, é chamado de "terrorista").
O governo chinês acusa seus adversários políticos de "politizarem" as olimpíadas de Pequim, o que é natural quando a mídia internacional foca suas atenções em eventos tão aclamados como os jogos olímpicos. Sempre os eventos esportivos globais foram utilizados para a realização de protestos (pacíficos ou não) pelos mais diferentes grupos. O caso da China é especial.
Por que grupos de pessoas seguidoras de uma causa constantemente usam da violência para alcançar seus objetivos? Por uma simples razão: reciprocidade. Ninguém faz esse tipo de coisa aleatoriamente. Sempre existe um passado por trás de cada ato violento. No caso dos atentados na China, a violência usada contra o governo é, na verdade, a reação da própria violência das autoridades chinesas contra minorias étnicas e religiosas de partes distantes da China.
A China é o terceiro maior país do mundo, e abriga mais de 1,3 bilhões de pessoas de vários povos e etnias, formando um enorme mosaico cultural humano. Um país como esse deveria ser governado com base na pluralidade e no diálogo entre os compatriotas. Entretanto, a China é governada pelo punho de ferro autocrático do Partido Comunista, que desde a Revolução de 1949, vêm oprimindo de diversas maneiras as várias minorias existentes no país.
Obcecados pelo controle total da população chinesa, o Partido Comunista não mede esforços ao reprimir qualquer um que se levante contra sua doutrina. É isso que acontece com os budistas no Tibet, com os muçulmanos no Xinjiang e com qualquer outro que se recuse a aceitar os rumos determinados pelo governo chinês. As minorias destas províncias exigem apenas o que é direito de todo ser humano: o respeito aos seus valores culturais e à sua honra. Em vez de lidar com esta situação de maneira cordial e civilizada, o governo chinês usa seu implacável punho de ferro contra os chamados "dissidentes". Quando manifestações pacíficas e diálogos falham nessas situações, só existe um caminho: o da força.
Não é de se impressionar que a China seja "vítima" de movimentos separatistas e atentados. Em um país em que não se respeitam os direitos básicos dos seres humanos e onde a vontade geral do povo é completamente ignorada, somente o uso de balas e explosivos pode atrair a atenção do governo. Os chamados "terroristas" não fazem nada além de negociar com o Partido Comunista em sua própria língua.
Neste caso, o futuro não é nem um pouco nebuloso. Enquanto a honra e a cultura dos diversos povos da China não forem respeitados e estes povos forem tratados com ignorância, mais sangue será derramado e mais violência será gerada.
E ainda se dizem uma "República Popular"...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

As olimpíadas e a China


2008 tem sido marcado por uma febre cultural a respeito das olimpíadas de Pequim (Beijing). A promessa de grandiosidade dos jogos de 2008 na capital chinesa têm atraídos olhares do mundo todo para a China. Mas há mais por trás das olimpíadas do que o que é mostrado na tela da televisão.
A China é um país de cultura milenar, terra natal de alguns dos maiores tesouros culturais da terra. Sua cultura e sua história têm fascinado a humanidade há séculos. Entretanto, a história chinesa não é tão feliz. Desde o século XIX, o país foi vítima de invasões estrangeiras, ocupações e humilhações internacionais. Em 1949, na tentativa de mudar esse quadro, Mao-Tsé Tung liderou uma revolução comunista na China. Com o intuito de acabar com a miséria do povo chinês e de tornar o país uma grande potência, o Partido Comunista Chinês empreendeu políticas nada ortodoxas na condução dos rumos nacionais.
Hoje a China é admirada (às vezes até demasiadamente) pelo mundo todo. Seu incrível crescimento econômico e seu progresso têm sido motivo de atenção de todos, principalmente dos ocidentais. Mas todo progresso tem um preço. Enquanto economistas comemoram o crescimento meteórico chinês, esquecem-se das bases de sustentação desse progresso. A esmagadora maioria dos chineses enfrentam jornadas de trabalho de 14 a 16 horas, sem direito à férias e a fins de semana, e em troca ganham um mísero salário médio de 30 dólares. Na China, não existem sindicatos ou associações trabalhistas, a não ser aquelas permitidas (e controladas) pelo Partido Comunista. A China é o país que tem o maior aumento de emissões de gases estufa, e é também o segundo maior emissor, atrás apenas dos Estados Unidos. Na China não existem democracia, liberdade de imprensa, liberdade de expressão ou liberdade política. Ou se segue o rumo da revolução, ou se segue o rumo da bala. Essa á a política chinesa.
Os jogos olímpicos de 2008 têm sido usados para “propagandear” a "nova China" criada pelo partido comunista. Trata-se de um país de grandes (ou melhor, imensas) proporções, de progresso inalcançável, de total desrespeito ao meio ambiente e de censuras inimagináveis. Como tudo o que se passa na China, as olimpíadas t~em sua cobertura feita da maneira determinada pelo Partido Comunista. Até a internet é censurada por lá! No primeiro semestre de 2008, durante os eventos da passagem da tocha olímpica pelo mundo, vários protestos contra a tirania chinesa no Tibet têm sido realizados e reprimidos no mundo todo (mesmo nos países que se dizem democráticos). Trata-se do cúmulo da hipocrisia internacional! Em 2007, a opinião pública mundial condenou o regime militar de Myanmar (antiga Birmânia) por reprimir de forma violenta protestos pacíficos de monges budistas. Em 2008, o mesmo acontece no Tibet governado pelo punho de ferro do Partido Comunista Chinês e, entretanto, a opinião pública internacional se calou (com certeza ocupada demais com as festividades olímpicas).
Então, fica a pergunta: o progresso chinês vale a pena? Vale a pena trocar a liberdade natural, que nos é de direito, por maravilhas efêmeras de um mundo globalizado? Vale a pena destruir o meio ambiente para sustentar o progresso material? Vale a pena sacrificar a cultura milenar dos antepassados por produtos capitalistas da moda? Vale a pena sustentar um crescimento magnífico com 30 mil execuções por ano além de torturas e repressões iguais às sofridas no passado? Mesmo a China sendo uma terra distante, diferente em muitos aspectos de nossa cultura e visão de mundo, algumas coisas ainda são inerentes a todo e qualquer ser humano, independente de cultura ou nacionalidade: liberdade, honra, respeito.
Então, os fins justificam os meios?

domingo, 6 de abril de 2008

Ocupação estudantil da reitoria da UnB

O ano de 2008 começou mal para a Universidade de Brasília (UnB), uma das melhores do país. No inicio deste ano, antes de começar o semestre letivo, um escândalo de corrupção, envolvendo o reitor Timothy Mulholland abalou a imagem de toda a universidade. Uma investigação descobriu um explícito desvio de dinheiro da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), dinheiro que deveria ser usado em pesquisa científica sendo usado na decoração do apartamento funcional do reitor, com direito a gastos extravagantes de um total de quase meio milhão de reais, incluindo lixeiras de mil reais.
Meses se passarão, inquéritos foram abertos e o caso ganhou audiência nacional. Entretanto, o grande responsável por tudo isso continua impune, exercendo suas atividades como se nada estivesse acontecendo. Desde o início das aulas na UnB, o Diretório Central dos Estudantes (DCE), organização de representação formal dos estudantes universitários, e outros grupos estudantis vêem articulando os estudantes em torno da campanha "Fora Timothy", cujo objetivo é retirar o reitor e o vice-reitor dos seus respectivos cargos para dar andamento às investigações do Ministério Público.
No dia 03 de abril a situação atingiu o seu clímax. Após uma assembleia, cerca de 150 estudantes invadiram a reitoria da UnB, ocupando o gabinete do reitor e exigindo sua renúncia. Em uma clara demonstração de intolerância e autoritarismo, o reitor ordenou o bloqueio da rampa de acesso ao gabinete e a suspensão da água e luz do prédio, numa tentativa de coagir os estudantes a saírem do prédio. Desde a invasão três parlamentares do DF têm agido como intermediadores nas negociações entre estudantes e autoridades: deputado distrital Reguffe (PDT), deputado federal Augusto Carvalho (PPS) e senador Cristovam Buarque (PDT). Já houve algum progresso nas negociações (este texto foi escrito na noite do dia 06 de abril), a água e a luz já retornaram ao prédio e pequenas comissões de negociação foram criadas entre as duas partes.
Porém, assim como o caso do atentado contra estudantes africanos na Casa do Estudante no primeiro semestre de 2007, o reitor Timothy Mulholland mostra sua indiferença, arrogância e autoritarísmo diante dos estudantes. Em declaração feita por ele próprio no início da ocupação, o reitor declarou "só presto contas ao TCU". Apesar dos avanços nas negociações, o bloqueio ao acesso ao gabinete permanece, infringindo o direito natural de ir e vir dos estudantes (é interessante observar que, ao lado da rampa bloqueada, está ,em um mural prateado, a Declaração Universal dos Direitos Humanos). Devido ao bloqueio, os estudantes que permanecem ocupando o gabinete do reitor são alimentados e mantidos por meio de um "elevador" improvisado, que nada mais é que uma sacola amarrada a um cabo de aço.
A situação é crítica, e mostra o estado deplorável em que se chegou o ensino brasileiro. Qualquer pessoa que já passou pelas principais instalações da UnB conhece o estado físico degradante da universidade. Os vários projetos de reformas e melhorias da UnB são barrados na reitoria, pois o reitor afirma que "não há verbas". Como não há verbas ?!? Enquanto laboratórios estão quase fechando devido à falta de equipamentos e professores reclamam das péssimas condições de trabalho o atual reitor esbanja o dinheiro da pesquisa com gastos pessoais. Ele, reitor, culpado das acusações de mal uso dos recursos públicos e de falhar no cumprimento do seu dever (que é zelar pelo bem estar da universidade e de seus empregados e estudantes) é que deveria estar sendo confrontado pela polícia e pela justiça. A justiça emitiu um comunicado anunciando uma multa a ser paga pelo DCE em 5 mil reais a hora de ocupação. Isso não é absurdo. O reitor faz mal uso dos recursos e quem paga multa são estudantes? E depois os estudantes são subversivos...
Tudo o que foi escrito anteriormente é apenas para explicar a triste situação da UnB e os verdadeiros motivos da ocupação estudantil. Visto que alguns canais de televisão e jornais têm passado informações manipuladas, alegando baderna e mal comportamento por partes dos estudantes, é necessário explicar, perante toda a sociedade brasileira o que o movimento estudantil está realmente fazendo e quais são seus reais objetivos.
Por último gostaria de mandar um recado ao Sr. Timothy Mulholland:
Nós, estudantes, estamos prestando nossas contas com a sociedade. E você?

Para que não aleguem que este texto é maniqueísta por expressar apenas a visão de um estudante, estou colocando aqui um link de uma entrevista do professor Michelangelo Trigueiro, do Departamento de Sociologia da UnB: http://www.painelbrasiltv.com.br/novo/Entrevistas/index.asp?Programa=2&Entrevista=598&TipoVideo=2

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Perspectivas para 2008 (e além)

Toda época é marcada por um ou um conjunto de acontecimentos. Guerras, epidemias, revoluções e afins são considerados eventos marcantes e determinantes de vários períodos distintos ao longo da história. Em 1º de Janeiro de 2008 começou o penúltimo ano desta década, que até agora se mostrou uma "Era dos Extremos" muito mais radical que o "breve século XX" descrito pelo historiador Eric Hobsbawm com sua bipolaridade mundial e o perigo de uma guerra nuclear total. Os anos 2000 foram marcados por eventos rápidos, impactantes e de alcance global, como as crises econômicas e políticas, a Guerra Contra o Terror e o aquecimento global. Sem dúvida alguma, este último será o mais marcante dos males da primeira década do século XXI.
Não é de hoje que a crise ambiental é considerada um problema grave. Desde o fim da Guerra Fria em finais de 1991, percebe-se uma crescente preocupação com o meio ambiente e seus problemas. Desde a década passada, grandes eventos tiveram como motivação a crise ambiental, que já teve diferentes faces como o buraco da camada de ozônio e o aquecimento global. Da ECO 92 realizada no Rio de Janeiro até o conturbado Protocolo de Kyoto em 97, governos, estadistas e ambientalistas vêem discutindo acerca do grande problema da degradação do planeta Terra.
A virada do milênio trouxe uma visão cada vez mais ampliada e crítica dessa crise. Pode-se dizer que, nos anos 90, o objetivo era determinar as causas dos problemas ambientais. Na década atual, o objetivo passa a ser o de combater a crise ambiental. Mas porque o problema da degradação ambiental é tão importante? O que a crise ambiental tem em comum com guerras, epidemias e revoluções?
Pode parecer um exagero, mas não é. Assim como os eventos marcantes do passado, a crise do meio ambiente é uma ameaça à sobrevivência humana. Na verdade, a crise ambiental é um problema ainda maior, pois não ameaça à vida de uma comunidade, país ou continente, mas de toda a espécie humana, ou melhor, de toda a vida na Terra. Entre alarmismos e ceticismos nascidos pelos mais variados motivos uma coisa é fato, nunca na história humana o meio ambiente global foi tão degradado como nos últimos trezentos anos e nunca as mudanças climáticas foram tão bruscas e desastrosas. E nós somos a causa disso tudo.
Isso mesmo. O desastre ambiental que aí está é culpa de cada ser humano deste planeta e afeta a todos nós. Não adianta jogar a culpa em governos, empresas, vacas, árvores ou que for. O estrago já foi feito. Resta apenas consertá-lo, ou encarar as conseqüencias.
Para resolver essa crise, é necessária a participação de cada um, seja como cidadão, como empresário, ambientalista ou governante. É necessária a participação de todos. Todos os aspectos da vida humana são afetados pela degradação ambiental e todos eles podem contribuir à sua maneira para uma melhora. O problema ambiental é preocupação de todos os campos do saber acadêmico e todos podem procurar soluções para melhorá-lo dentro se suas possibilidades.
Se você não tem planos para um ano novo há uma sugestão, faça a sua parte. Plante árvores, ande de bicicleta, para de comer carne, pesquise novas tecnologias, recicle seu lixo, economize água, mude seus hábitos, economize energia, limpe a sua rua, qualquer coisa que você puder fazer, por menos que seja, é uma contribuição para a melhora do meio ambiente. Não se trata de mudar drasticamente o seu modo de vida, mas de tomar pequenas atitudes que trarão benefício a você e a muitos outros. Pense nas gerações futuras e no mundo que elas herdarão e coloque-se no lugar delas, você gostaria de receber esse mundo? Se existe uma coisa mais marcante do que uma grande crise, são as ações daqueles que tentam combatê-la.
"Se não puder fazer tudo, faça tudo o que puder."
"Tudo que temos que decidir é o que fazer com tempo que nos é dado."